SALA DE LEITURA
ABANDONE O ORGULHO E EXPERIMENTE O RESULTADO DO TRABALHO COLETIVO
Carla Limongi
Nunca, em nenhum período da história, se falou tanto sobre o trabalho coletivo, o trabalho em equipe. Ao analisarmos os anúncios de emprego podemos observar que o requisito mais solicitado, independente do cargo em questão, é a capacidade de trabalhar em equipe.
Pesquisas demonstram que organizações obtêm resultados significativos, quando se colocam a disposição de realizarem suas atividades, respaldadas nos talentos das equipes. Os resultados das empresas de sucesso estão diretamente relacionados à capacidade das mesmas, em desenvolverem seus projetos de maneira coletiva, onde envolvem toda a equipe na busca das soluções dos problemas a serem enfrentados e garantem, com isso, o comprometimento de todos nas implementações das soluções, praticando assim, o trabalho em equipe.
É importante ressaltar que, quando se fala em trabalho de equipe, fala-se em maior volume de atividades, mais responsabilidade, flexibilidade, colaboração e esforço pessoal, detalhes que acabam sendo descobertos, a cada novo dia de trabalho. Entretanto, como benefício, uma empresa que busca desenvolver o trabalho em equipe, de forma coesa, percebe a evidência de muitas características que até então passavam desapercebidas, tais como: aumento da criatividade, cumplicidade, questionamento de posições, senso crítico e aumento da motivação na equipe.
Trabalhar em equipe significa compartilhar uma direção comum. Além disso, atividades desenvolvidas em conjunto encorajam a equipe, aumentam o desempenho, transmitem autoconfiança, habilidade e união, características primordiais para o sucesso nas organizações.
Mesmo diante de tantas evidências, a favor desta forma de trabalho, ainda assim, encontramos pessoas que insistem em obter resultados, de forma isolada. Embuídas de sua vaidade pessoal, do orgulho próprio, da prepotência, acreditam serem auto-suficientes em suas ações. Estou me referindo ao que C.G.Jung, psicólogo suíço, pai da psicologia analítica, chamou de inflação do ego, essa forma de orgulho não se trata de um “orgulhozinho” qualquer, mas a um estado do ego, que leva uma pessoa a acreditar que não precisa relacionar-se com outro ou com o próximo, já que essa pessoa bastaria-se a si mesma e, relacionamento, implica em troca e reciprocidade.
Será possível, pessoas com esse tipo de comportamento, sobreviverem no mundo dos negócios?
Sabemos que para esse tipo de profissional o mercado está escasso. Pessoas, líderes e colegas de trabalho têm muita dificuldade em conviver com esse tipo de profissional e, quando se faz necessário a convivência, mantêm relacionamentos superficiais, normalmente utilizam subterfúgios para isolá-lo ainda mais dos processos decisórios, pois sabem, que a presença dele não contribui para o resultado da equipe. Este tipo de profissional, cego em sua vaidade, em seu orgulho, em sua falsa modéstia, sempre que pode deixa transparecer que sua verdade é absoluta, se mostra surdo às opiniões a sua volta.
Porque uma empresa, ou um grupo necessitaria de pessoas com este perfil, nos tempos atuais?
Convencer alguém, com estas características, da necessidade de mudar, de se transformar, é tarefa difícil. Ninguém muda ninguém, só a própria pessoa é capaz de assim fazer, depois de muita relutância, por reconhecer que sua postura e seus valores estão ultrapassados.
Por desejo ou por necessidade, hoje é necessário que aceitemos desenvolver o nosso espírito de equipe. O “eu” sozinho é limitado de recursos, tempo e conhecimento.
A melhor forma de se desenvolver, de buscar o crescimento pessoal e profissional é ter a humildade de pedir ajuda ao outro, para ajudar-se a si mesmo.
É urgente a necessidade que todos temos de aprender a trabalhar em equipe, é preciso que no mundo dos negócios essa ferramenta seja cada vez mais utilizada. É necessário maximizar o potencial de cada pessoa, aprendermos a conviver com as diferenças e extrair o melhor da diversidade, existente em cada ser humano. É preciso nos convencer que, trabalhando em equipe, teremos mais chances reais de superarmos nossos limites.
Para isso seguem algumas dicas de como conviver em conjunto, em equipe nas organizações.
Pense nisso... e sucesso!
Carla Adriana Limongi de Oliveira
“Uma parte de mim é só vertigem,
outra parte é linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte,
é uma questão de vida e morte,
Será arte? Será arte?”
Ferreira Goulart
O presente artigo é uma tentativa de analisar o imaginário e as representações, como forças formadoras do psiquismo humano e sua influência nos construtos históricos. Busca atribuir a elas o lugar que lhes pertence na constituição do sujeito, caracterizando-as como funções que fazem a intermediação da relação homem - mundo, fundamental no desenvolvimento psicológico e emocional do indivíduo e na compreensão deste sujeito, na história que constrói.
Palavras-chave: história, representações, imaginário e psicologia.
Reflexões sobre representações e imaginário: onde história e psicologia se aproximam e se distanciam neste processo?
Como iniciar esta reflexão? Parto do pressuposto de que não existe verdade absoluta, entendendo que tanto para a história quanto para a psicologia, o conceito de certo e errado são apenas duas janelas diferentes, que dão para a mesma paisagem. O homem, para resolver seus enigmas e abrandar suas dúvidas, foi inventando mitos e deuses, filosofias e artes, utilizando-se de representações que construía sobre o vivido, para expressar suas idéias e sua perplexidade frente à vida. Buscava, através de seu olhar atento, poder penetrar os mistérios humanos e naturais.
Foram os gregos que, na Antigüidade, criaram uma nova fase de descobertas, sobre quem realmente é este estranho ser humano, que sabe chorar e rir, que vai do sofrimento a felicidade, da paz a guerra e que encerra tantas contradições. Desde os tempos mais remotos, o homem utiliza seu imaginário e as representações que faz sobre o mundo, para explicar os fatos e tentar compreendê-los.
A História e a Psicologia trazem em si uma missão, por vezes muito semelhante e, também, bastante diversa: poder explicar o coletivo e o individual; pensar o todo, o global, como também entender cada ser em sua particularidade, em cada situação específica, única e irredutível, em sua riqueza, dentro de sua especificidade.
O ponto de encontro fundamental entre História e Psicologia é a busca da explicação e compreensão da relação necessária e constitutiva, entre sujeitos e o mundo em que se inserem. De formas diferenciadas, ambas procuram, sem a perda da experiência — individual e social, situar este sujeito no seu momento histórico e pessoal. Em ambas, o desafio de explicar o que nos leva a ser como somos: únicos e surpreendentes; dinâmicos ou passivos, criativos ou adaptados, racionais ou emocionais.
Na psicologia busca-se compreender a atuação dos sujeitos individuais ou coletivos; e, na história, procura-se compreender o processo histórico que nos instaura enquanto sujeitos, propriamente ditos.
Enquanto psicóloga posso perceber, na minha prática diária, que há, na nossa cultura, uma sutil desvalorização da imaginação em comparação a outras funções do psiquismo humano, tais como inteligência, pensamento, percepção e memória. Esta desvalorização encontra-se tão impregnada em nossos valores que, neste sentido, podemos apresentar como exemplo o caso dos artistas e das crianças, que, via de regra, são mal vistos e repreendidos quando explicitam seu mundo imaginário, apresentando os amigos não reais, ou assumindo papéis imaginários dos super-heróis.
Na psicologia, Freud valoriza o papel decisivo das imagens, como mensagens do inconsciente, tornando-as intermediárias para o consciente. Vê-se aqui a concepção da imaginação, na psicologia, como pura combinação de elementos fornecidos à psique, ignorando o fundamental que é a criação.
Atrevemo-me a dizer que as representações se assemelham ao inconsciente freudiano, com base em algumas afirmações:
As representações e o inconsciente se estruturam através do imaginário, realizando-se, indiretamente, perante a consciência. Sentimos, pensamos e agimos de acordo com atitudes que nos parecem perfeitamente naturais e racionais porque a sociedade as repete, aceita, internalizando-as em nós pela família, pela escola, pelos livros, pelos meios de comunicação, pelas relações de trabalho, pelas práticas políticas. Um conjunto de imagens estabelecidas interpõe-se entre nossa consciência e a realidade.
Inconsciente e representações não são deliberações voluntárias. O inconsciente precisa de imagens, substitutos, sonhos, lapsos, atos falhos, sintomas, sublimação para manifestar-se e, ao mesmo tempo, esconder-se da consciência. As representações, sobretudo as sociais, são um construto teórico cunhado por Serge Moscovici e diz respeito a teorias ou ciências coletivas, destinadas a interpretação do real. As representações sociais vão além do que é imediatamente dado na ciência ou na filosofia, da classificação de fatos e eventos. Seriam teorias do senso comum que se elaboram, coletivamente, nas interações sociais, sujeito-sujeito e sujeito - sociedade, num determinado tempo, numa cultura e num espaço específico, na tentativa de tornar o estranho familiar e dar conta da realidade. É no processo de interação social que o sujeito elabora o conhecimento, vai se socializando, construindo valores e idéias que circulam na sociedade.
Em lugar de invalidar a razão, a reflexão, o pensamento e a busca da verdade, as descobertas do inconsciente e das representações fizeram o sujeito do “conhecimento” conhecer as condições – psíquicas, sociais, históricas – nas quais se fundamentam as representações pessoais e sociais.
Como disseram os filósofos existencialistas, acerca dessas descobertas: encarnaram o sujeito num corpo vivido real e, numa história coletiva real, situaram o sujeito. Desvendando os obstáculos psíquicos e histórico-sociais para o conhecimento, puseram em primeiro plano as relações entre pensar e agir, ou, como se costuma dizer, entre a teoria e a prática.
Para Sandra Pesavento:
“as representações construídas sobre o mundo não só se colocam no lugar deste mundo, como fazem com que os homens percebam a realidade e pautem a sua existência. São matrizes geradoras de condutas e práticas sociais, dotadas de força integradora e coesiva, bem como explicativa do real. Indivíduos e grupos dão sentido ao mundo por meio das representações que constroem sobre a realidade”. (Pesavento, 2004, pág.39)
As representações compreendem, nesse caso, um conjunto de idéias que compõe um sistema de práticas que procura exprimir o mundo. Em sua ótica, a autora objetiva através das representações, explicar a relação que indivíduos e grupos estabelecem, em suas interações com a realidade que os cerca. Outra possibilidade propiciada pelas representações é entender os comportamentos coletivos, no espaço e no tempo, em que são produzidos.
Interessante destacar que além das representações o estudo do imaginário é um outro caminho, para compreender a leitura que este homem faz do seu mundo.
Buscando compreender as definições de imaginário, faremos uma viagem sobre os escritos de alguns autores, que discorrem sobre este tema. Iniciamos com a visão de Bachelard que afirma:
“a imaginação é antes a faculdade de deformar as imagens fornecidas pela senso-percepção. É a faculdade que nos liberta das imagens primeiras, que muda as imagens. Se não há imagens, união inesperada de imagens, não há imaginação, não há ação imaginante." (Bachelard, 1998, p.1).
O autor defende a idéia de que, para que haja imaginação, é necessário que a presença de uma imagem suscite outras, ausentes, que uma imagem ocasional determine uma variedade de imagens diferentes, uma explosão de imagens. Caso contrário, há apenas percepção, lembrança, memória familiar, hábito das cores e formas.
Afirma, ainda, que o vocábulo que corresponde à imaginação não é o de imagem, mas o de imaginário. Graças ao imaginário, a imaginação é essencialmente aberta. É ela, no psiquismo humano, a própria experiência da abertura, a própria experiência da novidade.
Citando Castoriadis (p.240), entendemos que o mesmo utiliza o termo imaginário não no sentido de "especular," que é apenas imagem de e imagem refletida, ou seja, reflexo. Segundo sua visão, imaginário é "criação incessante e essencialmente indeterminada, nas esferas social, histórica e psíquica, de figuras, formas e imagens, a partir das quais é possível falar-se de "alguma coisa". Aquilo que denominamos "realidade" e "racionalidade" são seus produtos”.
Castoriadis define a imaginação como:
"a capacidade de fazer surgir o que não é "real"." Chama esta de imaginação radical, em oposição à imaginação somente reprodutiva e/ou combinatória, e anterior à distinção entre o "real" e o "imaginário" ou "fictício". Dizendo de outra forma; "é porque há imaginação radical e imaginário instituinte que há para nós "realidade" e esta realidade." (Castoriadis, 2000, p.242).
O imaginário radical é, por um lado, a parte fundamental, o âmago do ser e do modo de ser da psique do ser humano singular e do social-histórico, de outro. Temos, assim, o imaginário radical individual e o social. A imaginação radical, do sujeito humano singular e o imaginário social instituinte, criam e criam do nada, possibilitando a todo ser humano criar para si um mundo próprio, no qual
se estabelece, também, a si próprio.
O ser humano, ao nascer, é um indivíduo por vir-a-ser, uma vez que não nasce pronto. É apenas possibilidade. E como irá se constituir? Para Castoriadis, nesse vir-a-ser, emerge o imaginário como força fundante e instituinte, por isso radical. Para ele, a imaginação é a faculdade que funda o humano, que permite ao ser significar, a seu modo, as experiências, criando imagens na relação com o mundo, fazendo história, sociedade, tecnologia, arte e a si próprio.
Citando Sandra Pesavento:
“entende-se por imaginário um sistema de idéias e imagens de representação coletiva que os homens, em todas as épocas, construíram para si, dando sentido ao mundo”. (Pesavento, 2004, pág.43).
Através dos vários conceitos de imaginação, aqui apresentados, percebe-se que ela pode ser vista como uma força que rompe com os tradicionais paradigmas da lógica e da coerência psicológica, tão valorizados pela cultura, preocupada com o logos e o nomos, com a realidade, causalidade e determinação das coisas e dos seres e menos com a indeterminação e fluidez da imaginação.
Essa imaginação, como força criadora, tem sido reconhecida e valorizada, nas diferentes manifestações sociais e culturais, reforçando seu papel de instrumento histórico, ou seja, em cada época os homens constroem representações, para conferir sentido ao real.
Para compreender as “fronteiras” entre História e Psicologia, o melhor é sempre encará-las de frente. Julgo mais interessante explorar a zona de interseção que as une e separa, evidenciando o núcleo das definições que pode permitir a ambas, a ampliação de sua capacidade explicativa de temas como imaginário e representação e de suas implicações para as duas disciplinas.
O conhecimento — histórico e psicológico — leva a um maior entendimento da forma como se constroem as relações pessoais e sociais; o esclarecimento do lugar de onde se fala; a procura da tensão necessária entre o particular e o múltiplo; a evidenciação de um real que norteia a vida da maioria.
A necessidade de compreensão deste sujeito, que constrói e é construído pelas suas ações, desafia tanto a História quanto a Psicologia - ambas disciplinas fundadas no conflito, no desacerto, na procura; na tensão necessária entre cada um e o coletivo; na tensão que se instaura, internamente a cada um. Não há uma História e uma Psicologia unas — somos disciplinas em conflito, na tentativa de compreender e resignificar este ser humano multifacetado, na sua atuação individual e social. Considero que hoje, o desafio é não perder as bases de universalidade, referenciadas tanto pela psicologia quanto para história, como base primeira de seu método.
A chave desse desafio está em nós mesmos. Nós, profissionais que atuamos em cada uma das áreas, possuímos a chave que abre a porta do nosso universo teórico e prático, para alcançar o conhecimento que nos permite a compreensão deste homem.
Enfim, se estudar este homem, tendo como base as representações e o imaginário que constrói, como uma forma de aproximar e distanciar a realidade tem sido para nós, um desafio, um ir além nesta busca de compreendê-lo, em um contexto histórico / psicológico, pode ser a motivação que se encontra presente em toda aventura do conhecimento, porque não ousar? Acredito que para quem realiza a aventura de uma descoberta, ao descobrir o caminho a essa fonte de sabedoria, faz uma caminhada, em busca de seu auto-conhecimento.
BACHELARD, G. O Ar e os Sonhos. Rio de Janeiro: Ed. Martins Fontes, 1998.
_____________ A poética do espaço. São Paulo: Ed. Nova Cultural, 1999.
CASTORIADIS, C. A Instituição Imaginária da Sociedade. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2000.
______________ Feito e a Ser Feito. Rio de Janeiro: DP & A Editora, 1999.
DURAND, G. A imaginação simbólica. São Paulo: Ed. Cultrix, 1988.
__________ As estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1997.
FREUD, S. Escritos sobre a psicologia do inconsciente. São Paulo: Ed. Imago, 2004.
_________ Interpretação dos Sonhos. São Paulo: Ed. Imago, 1999.
GARRIDO, E. Psicologia do Encontro. São Paulo: Ed. Duas Cidades, 1978.
MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.
OLIVEIRA, M. Representação social e simbolismo: os novos rumos da imaginação na sociologia brasileira. IN: Revista de ciências humanas. Curitiba: Editora da UFPR, n. 7/ 8, 1999.
PESAVENTO, Sandra J. História e História Cultural. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2004.
RESUMO
Este artigo tem como intenção convidar os leitores a uma reflexão sobre o fazer histórico, com base na História Cultural, fazendo paralelos com a teoria da Psicologia da Gestalt, numa tentativa de despertar os profissionais da História, para uma nova possibilidade de ler os fatos históricos, sob um novo olhar, mais amplificado e revelador, onde o que importa não é explicar os acontecimentos com base nos porquês, mas, sim, buscando contextualizá-los, entendendo como, no presente, os acontecimentos podem ser compreendidos.
Palavras-chave: História cultural, Memória e Psicologia da Gestalt.
ABSTRACT
This article wants to invite you to make a reflection about make an historic, basing in the History Culture, doing parallels with the Gestalt’s Psychology, trying to wake up history’s professionals for another possibility of reading historic facts with a new sight – wider and revealer – where the importance is not explain the questions, but it is context them, knowing how, in the present, the facts can be understood.
Key Words: Culture History, Memory and Gestalt’s Psychology.
UMA REFLEXÃO À LUZ DOS CONCEITOS GERAIS DA HISTÓRIA CULTURAL E DA PSICOLOGIA DA GESTALT.
É encontrar uma espécie de elo perdido. Esta reflexão parece nos conduzir até aquele espaço onde acontecem encontros: ciência e arte, razão e emoção, psicologia e história. Esta aventura teve início quando fui convidada a participar da primeira turma do curso de pós-graduação em história cultural, da Universidade Católica de Goiás, o que, até então, em minha trajetória profissional, parecia ser um tanto distante daquilo que conhecia e utilizávamos, no meu fazer profissional. Diante deste convite comecei a me perguntar: Que relação existirá entre psicologia e história? Que experiências e ensinamentos poderei tirar deste novo campo de estudo? Nesta altura de minha vida não seria isso “um tempo perdido”? Depois de muito ponderar cheguei à conclusão de que estava diante de um desafio excitante. Decisão tomada canalizei minha energia e meu esforço “para entrar de cabeça” nesse novo contexto. A partir do momento que comecei a freqüentar as aulas, interagir com os outros alunos, todos historiadores e, estabelecer um primeiro contato, com a teoria apresentada pelos professores, entendi que esta escolha havia sido acertada, pois já sentia que esta jornada me conduziria na busca de novos conhecimentos que agregassem valor ao que já sabia e praticava, oportunidade que me remeteria à busca de pontos comuns e convergentes entre o pensamento histórico e a psicologia da gestalt. Esta seria, para mim, uma excelente oportunidade de estabelecer um diálogo entre o meu conhecimento teórico e a teoria da história cultural, porque entendia que ela me conduziria a uma forma singular de apreender uma nova visão de cultura que visa partilhar e traduzir o mundo, através de suas particularidades culturais, valorizando o indivíduo que a cria e transforma. Partindo disso, ousarei buscar explicar a relação entre história e psicologia, tendo como referencial teórico a psicologia da gestalt, sob a luz dos conceitos da história cultural.
E, quando se fala destas teorias e conceitos, é fundamental se deixar conduzir o olhar para a imaginação, porque carecemos de criar novas direções, dar novos sentidos, repensar pensamentos, sobretudo sonhar. Que o eco destas reflexões nos dê estímulo para elegermos a interdisciplinaridade como forma de entender as várias facetas possíveis de serem compreendidas, despidos de pré-conceitos teóricos.
Como ponto de partida, podemos nos perguntar, quando nos referimos à história cultural: no que ela é nova? Compreendo que pode ser entendida como nova, sobretudo, pela idéia de cultura que dela emerge que é muito mais abrangente, incluindo as práticas e as representações. Talvez fique mais claro dizer que a grande inovação é a incorporação ou, ao menos, a tentativa de incorporar a vida cotidiana na história cultural. Esta idéia pode ser confirmada por Sandra Pesavento ao dizer que:
se a história cultural é chamada de Nova História Cultural, como faz Lynn Hunt, é porque está dando a ver uma nova forma de a História trabalhar a cultura. Não se trata de fazer uma História do Pensamento ou de uma História Intelectual, ou ainda mesmo de pensar uma História da Cultura nos velhos moldes, a estudar as grandes correntes de idéias e seus nomes mais expressivos. Trata-se, antes de tudo, de pensar a cultura como um conjunto de significados partilhados e construídos pelos homens para explicar o mundo. (Pesavento, 2004, p.15)
Atualmente, posso compreender que a nova história cultural não é um campo estreito, com fronteiras separando-a de outros campos de pesquisa. É melhor pensar, talvez, em aspectos da cultura ou da sociedade inteira, vistos sob um determinado ponto de vista, atentando-se, sobretudo, para o simbolismo consciente ou inconsciente e, também, para a poética, para regras e princípios de vida cotidiana. Com base nesta afirmação, acredito ser possível buscar entender o indivíduo e suas particularidades, à luz da psicologia da gestalt.
Contextualizando a psicologia da gestalt, posso dizer que se trata de uma teoria, segundo a qual, nosso campo perceptivo se organiza espontaneamente, sob a forma de des conjuntos estruturados e significantes. A percepção de uma totalidade, por exemplo, a de um rosto humano, não pode se reduzir à soma dos estímulos percebidos, como, da mesma forma, podemos entender que a água é diferente do oxigênio e do hidrogênio. Da mesma maneira, uma parte num todo é algo bem diferente desta mesma parte, isolada ou incluída num outro todo. Porque ela extrai propriedades particulares de seu lugar e função em cada um deles: assim, num jogo, um grito é diferente de um grito numa rua deserta, estar nu embaixo do chuveiro não tem o mesmo sentido que passear nu pela rua. Para compreender um comportamento, o que conta, então, não é somente analisá-lo, mas, sobretudo, ter dele uma visão sintética, percebê-lo no conjunto mais amplo do contexto global, ter uma visão não tanto aguda, mas ampla.
Como então, o homem pode ser concebido dentro desta abordagem? Posso dizer que o homem é alguém intimamente ligado ao seu mundo; não se pode imaginar qualquer ser destacado do seu contexto; desta forma, as experiências que podem ser vividas, tem sentido, sempre, dentro da relação entre o homem e o seu mundo. Segundo Therese Tellegen:
o contato é uma ocorrência de “fronteira“, isto é, se realiza no ponto que é a um tempo o lugar onde eu me encontro, me junto e onde me separo, me distingo da minha relação com qualquer pessoa. (Tellegen,1990, p.72)
Para a realização desta reflexão, a que me propus, é necessário levar em consideração a importância do estudo do homem, partindo de uma base histórica, onde precisamos atentar para a realidade de que a junção com a psicologia da gestalt, fará com que este estudo se torne mais abrangente, dando ao historiador condições de entender, com mais profundidade, o seu objeto de estudo.
Na verdade, buscar transcender a mera apresentação e entender, em sua concretude, o modo de constituição da pessoa humana, exige uma opção de valor, um descompromisso com o estabelecido e uma definição a respeito da perspectiva, sob a qual queremos entendê-la, sob qual perspectiva queremos compreender a sociedade, sob qual perspectiva queremos pensar e realizar o estudo do ser humano, sob os olhos da história. Quero contribuir através desta abordagem psicológica, no favorecimento da busca do conhecimento e entendimento da nossa conjuntura sócio-cultural e histórica, posicionando-nos dentro dela pelo humano, como um ser que ao mesmo tempo é significante e significado.
Para o historiador os relatos de eventos passados representam reconstruções baseadas nos vestígios do que aconteceu. Ele identifica os vestígios para poder depois coletá-los, organizá-los, analisá-los e interpretá-los. Descobre os documentos, fotografa, transcreve, tornando-os assim disponíveis para a análise. A recuperação dos documentos é uma valiosa contribuição aos nossos conhecimentos. Todavia, concordamos com a observação de que os documentos constituem-se na “matéria prima”, dado crucial da historiografia, mas não se constituem propriamente na “história”. Tornam-se “história” por meio da análise e da interpretação.
A tarefa do historiador é tarefa de mediação, é agir como um intérprete, mediar o passado e o presente. É preciso sempre reescrever a história porque o presente está sempre mudando e, a história clássica de cultura, faz parte do que alguns filósofos, atualmente, gostam de chamar de "a grande narrativa da civilização ocidental". Uma narrativa de ascensão da nossa civilização ocidental, formada pelos gregos antigos, pelos romanos, pela cristandade, pelo renascimento, pelas descobertas, pela revolução científica, pelo século das luzes, pela revolução francesa etc.
Instrumento fundamental do laço social, a memória individual e coletiva, tornou-se, nessa última década, um dos objetos centrais de análise dos historiadores do tempo presente. Praticada, sobretudo, em países como a França, onde os atores históricos são os sobreviventes das tragédias do século XX, a chamada "história social da memória" vem tentando problematizar a memória, através da sua inscrição na história.
Mais do que um simples objeto da história, a memória parece ser, dentro dessa nova perspectiva de análise, uma de suas "matrizes". Visando, portanto, a uma melhor apreensão das relações do passado, presente e futuro, merecendo aqui um destaque de minha parte, visto que o papel do psicólogo é justamente o de mediar as questões entre sujeito e mundo, contextualizando sua narrativa na busca de presentificar os fatos apresentados.
De acordo com a abordagem gestáltica analisamos, também, o modo como as pessoas se utilizam de suas memórias, para trazer ao nível da consciência ou presentificação, apenas fatos que lhes sejam possíveis de serem recordados e suportados, na atualidade. Nesta teoria lidamos com a noção de um continuum de consciência como um meio de encorajar esta auto-conscientização. Manter um continuum de consciência parece demasiadamente simples, apenas estar consciente do que estamos experienciando, a cada instante. No entanto, a maioria das pessoas interrompe o continuum quase de imediato, e esta interrupção, em geral, é causada pela conscientização de algo desagradável.
Assim, estabelece-se a fuga em relação a pensamentos, expectativas, recordações e associações de uma experiência à outra. Nenhuma dessas experiências associadas são de fato experienciadas, elas são tocadas de leve, em flashes sucessivos, sem que haja assimilação do material. O sujeito deixa a conscientização desagradável inicial tão fora do contexto, quanto o resto do material. Os recentes estudos franceses, nesta área, atestam a impossibilidade de uma dissociação, até então admitida, entre a memória e a história.
A Historiografia requer a coordenação dos dados evidentes, tendo o objetivo de produzir um relato coerente de uma faceta do passado. Este relato fornece à interpretação, uma tentativa de explicação. O historiador busca as relações entre eventos, sem deixar de considerar a forma “como” o indivíduo traz estes fatos à tona, ao momento presente, ao “aqui e agora”.
Uma síntese histórica deve ter raízes nos fatos, mas é preciso ir além da “matéria prima”, para ver e apresentar os fatos numa determinada perspectiva.
Os acontecimentos que representam o passado, estudado pelos historiadores representam, na maior parte, ações, coisas realizadas por um indivíduo ou por um grupo de indivíduos, num tempo específico. Em outros termos, os eventos históricos representam formas de conduta. Como tais, os eventos são determinados, mesmo que tenham a ver com uma determinação complexa. Alguns fatores determinantes são localizados no passado próximo, outros são mais remotos no tempo; alguns são internos, outros são externos com respeito ao ator ou aos atores.
Para mim, enquanto psicóloga, as realidades históricas básicas não são as Guerras, o Feudalismo, a Renascença, a Idade da razão, ou a Revolução Industrial. Olhando para trás, podemos perceber a conduta de homens e mulheres concretos, que vivem e escrevem no contexto de uma sociedade caracterizada pelas intenções, invenções e idéias. Sob o prisma da gestalt evidenciamos a tomada de consciência da experiência atual “o aqui e agora”, que inclui o ressurgimento eventual de uma vivência antiga e reabilita a percepção emocional e corporal, ainda muito censurada na cultura ocidental, que coíbe severamente a expressão pública da raiva, da tristeza, da angústia...mas, também, da ternura do amor ou da alegria. A gestalt desenvolve uma perspectiva unificadora do ser humano, integrando, ao mesmo tempo, as dimensões sensoriais, afetivas, intelectuais, sociais e espirituais, permitindo uma experiência global em que o corpo possa falar e a palavra encarnar. A gestalt não objetiva, simplesmente, explicar as origens de nossas dificuldades, mas experimentar pistas para soluções novas: ela prefere o sentir como, mobilizador de mudança, à procura lancinante do saber por que. Reforça a idéia de que tudo está em fluxo - a transição da causalidade linear para o pensamento de processo, do "por que" para o "como".
Se você pergunta "como", você olha para a estrutura, vê o que está acontecendo agora, tem uma compreensão do processo. O "como" é tudo que precisamos para compreender como nós ou o mundo funcionamos. O como dá perspectiva, orientação. O “como” mostra que uma das leis básicas, a identidade de estrutura e função, é válida: se mudamos a estrutura, a função muda; se mudamos a função, a estrutura muda. Já o "Por que" pode levar a explicações mais inteligentes, mas nunca a uma compreensão. Geralmente leva a racionalizações.
As duas palavras-chave da Teoria da Gestalt são: “agora” e “como”. A essência da teoria da Gestalt está na compreensão dessas duas palavras. O "Agora" engloba tudo que existe - o passado não é mais, o futuro não é ainda. O Agora inclui o equilíbrio de estar aqui, é experiência, envolvimento, fenômeno, conscientização. A gestalt integra e combina, de forma original, um conjunto de técnicas variadas, verbais e não verbais, lendo através das entrelinhas, buscando ouvir o inaudível e ver o invisível.
A reflexão que busco compartilhar com os historiadores, pode traduzir uma alternativa saudável para este cenário. Os estudos históricos têm virtudes dignas de nota. Dentre elas merece destaque a História Cultural, pois trabalha com a idéia do resgate de sentidos conferidos ao homem e ao mundo, o que muito se assemelha à teoria da gestalt.
A perspectiva histórica enaltece o papel do sujeito, na alteração do curso dos acontecimentos. Pensar e agir, historicamente, implica em ver o passado, com os olhos do presente, onde o pesquisador buscará entender os acontecimentos, não do ponto de vista de suas razões, dos porquês dos acontecimentos, mas, sobretudo, de como estes acontecimentos podem ser lidos, no momento presente. Portanto, esta nova forma de entender o homem e fazer história nos tornará profissionais, historiadores e psicólogos, mais abertos a novas maneiras de ver e entender os acontecimentos, de maneira mais sensível e abrangente, sem o compromisso da busca da verdade absoluta.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BUROW, Olaf – Axel. Gestaltpedagogia: Um caminho para a escola e a educação. São Paulo: Editora Summus, 1985.
DARTIGUES, André. O que é a Fenomenologia. São Paulo: Editora Moraes, 1992.
GINGER, Serge. Gestalt:Uma terapia do contato. São Paulo: Summus Editorial, 1995.
HYCNER, Richard. De Pessoa a Pessoa. São Paulo: Summus Editorial, 1995.
JENKINS, Keith. A história Repensada. São Paulo: Editora Contexto, 2001.
PESAVENTO, Sandra J. História e História Cultural. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2004.
PONCIANO, Jorge. Gestalt Terapia: Refazendo um Caminho. São Paulo: Summus Editorial, 1996.
TELLENGE, Therese. Gestalt e Grupos: Uma perspectiva sistêmica. São Paulo: Summus Editorial, 1990.
Carla Limongi
Sandra Faria
A harmonia nas relações entre colegas de trabalho nada mais é do que um encontro de características pessoais e profissionais que, como outro qualquer, exige muita dedicação, flexibilidade e força de vontade para fazer o relacionamento dar certo. Muitos profissionais esquecem-se de que as relações no ambiente de trabalho funcionam de forma muito parecida com os relacionamentos afetivos e, por isso, podem enfrentar problemas de incompatibilidade.
A diversidade engrandece o ambiente, nos faz ir além, buscar mais, superarmos a nos mesmos, ela traz a soma de forças. Mas é preciso saber cultivá-la. Dentro de um contexto diversificado, encontramos personalidades diferentes que, juntas, formam uma personalidade maior - a empresa, cujos objetivos e metas devem estar em sintonia com os objetivos pessoais.
Existem muitos conflitos no seu local de trabalho? Não sabe o que fazer quando estes surgem? Estes são questionamentos feitos pela maioria dos profissionais sejam de grandes ou pequenas empresas, deixando claro que esta situação independe da estrutura ou porte das empresas, mas, sim, das relações interpessoais que se estabelecem. Acreditamos que a administração de conflitos no trabalho tem uma característica muito interessante: não é ensinada nas escolas de administração.
No entanto, esta é capaz de ser uma habilidade básica para a sobrevivência profissional e tem que ser amplamente praticada, por todos os profissionais. Os conflitos no trabalho ocorrem quando uma pessoa está sujeita a pressões ou expectativas, muito elevadas ou inconsistentes ou, ainda, quando há um choque de personalidades. Quem é que pode afirmar que nunca vivenciou um conflito, seja de ordem pessoal ou profissional, em sua empresa? Relatos comprovam que quase todos os profissionais já passaram por esta experiência.
Nossa experiência ao lidar com este tipo de situação, nas empresas nas quais atuamos, nos indica que o primeiro passo para administrar situações como essa é saber detectá-las. Existe uma série de sintomas que afloram no local de trabalho quando um conflito entre colegas fica mal-resolvido. Em geral, são mudanças repentinas de comportamento. Como, por exemplo, sem aviso, os colaboradores começam a estabelecer relações mais frias e distantes uns com os outros, o que, leva a um comprometimento do desempenho dos envolvidos, que passa a ser visível por parte de quem não está envolvido, diretamente, no problema. Também é comum espalharem fofocas entre os colegas mais próximos, o que dissemina o conflito e afeta a concentração da equipe.
Apesar de tudo isso, a maioria das empresas ainda trata os conflitos como um problema menor. Em geral, fingem que nada demais está acontecendo, como se o passar do tempo fosse capaz de resolver os desentendimentos do grupo. Engano, claro. Há um consenso entre os profissionais da área de desenvolvimento humano de que a organização deve, sim, envolver-se e achar uma saída amigável para qualquer conflito que surja entre os colaboradores. Quem deve tomar a iniciativa para resolver este problema? Deveria fazer parte do conjunto de habilidades de qualquer profissional saber lidar com conflitos.
Qualquer profissional deveria ser capaz de desenvolver a sua capacidade de entender a natureza dos conflitos e rapidamente estabelecer uma estratégia de solução, de maneira a que não fiquem ressentimentos, nenhuma sensação de derrota e muito menos um mal ambiente de trabalho. Caso os envolvidos não tenham equilíbrio emocional suficiente para buscarem, eles próprios, a resolução das diferenças existentes, este papel caberá, então, as lideranças das empresas.
Precisa haver o máximo de transparência nas relações com os colaboradores, por que, quanto mais verdadeiro e constante for o processo de comunicação, mais fácil será para as partes envolvidas detectarem os focos de tensão e solucioná-los. Para por fim a conflitos e discórdias é necessário haver uma forte capacidade de negociar, de discutir a natureza do problema e não dos sentimentos envolvidos. E bom que haja, eventualmente, algum tipo de conflito, pois, são estes tipos de divergências que trazem também a inovação, a melhoria, a vantagem competitiva e o debate de idéias.
Relacionar-se bem no ambiente de trabalho nem sempre é uma tarefa fácil.
Veja algumas dicas:
Pratique isto no seu dia a dia e... sucesso!
Carla Limongi
“Quem começou tem metade da obra executada”.
Horácio
Em nosso dia a dia, percebemos a distância entre as coisas que planejamos fazer e aquelas que efetivamente conseguimos realizar.
Na maioria das vezes, fazemos viagens “na fantasia” e programamos uma série de projetos que, contudo, ficam apenas na intenção. Não que nos falte potencial ou condições de realizá-los, mas porque simplesmente partir para a ação, ou seja, sair da inércia é bastante complicado e implica no consumo de muita energia. Podemos comparar com o ligar a ignição de um veículo. Depois desse primeiro movimento as coisas vão fluindo de maneira mais fácil e menos estressante.
Por que, tantas e tantas vezes, apesar de sonharmos realizar isso ou aquilo, deixamos para lá e abandonamos aquele tão ansiado projeto?
Aí vem a percepção de que existem algumas barreiras e bloqueios que inibem e sabotam o ato criativo, agindo com tal sutileza que mascaram a nossa vontade e nos dão todas as justificativas necessárias para não nos sentirmos covardes com a desistência de nossos sonhos.
Essas barreiras podem ser de caráter pessoal ou emocional, ambiental e cultural, sendo, em sua maioria, possíveis de serem minimizadas pela pessoa, à medida que haja um trabalho de conscientização das mesmas, um empenho pessoal e muita persistência.
Ao conhecer melhor essas barreiras, cada um pode identificar aquelas que mais encobrem seu potencial criativo e “mãos à luta”.
Desde a infância, o ser humano busca a segurança de se sentir amado, aprovado, aplaudido, desenvolvendo seu espírito de competição, que o torna ansioso em estar sempre “ganhando” alguma coisa.
Ele passa a correr atrás do Troféu da Vitória, que lhe garanta o afeto, a atenção, o sucesso, a aprovação e a preferência, transformando-os em necessidades básicas à sua sobrevivência. Essas necessidades geram uma dependência e despertam na pessoa a ansiedade e o medo de se sentir rejeitado, criticado ou abandonado.
Cada um tem sua forma de reagir a esse medo. Alguns se tornam mais competitivos, ao passo que outros se fecham, buscando sempre a introversão e fugindo de desafios que o ameacem. A maioria das pessoas reage de uma ou da outra maneira, dependendo da área em que surja o desafio e dela ser, ou não, ameaça para seu potencial. Ninguém, a troco de nada, vai se expor a cometer erros ou a não conseguir realizar a façanha e, ainda, passar vexame de se ver criticado, ridicularizado, de “ficar em segundo”, ou, em “último plano”, o que é o pior.
Por esse motivo, passa a não ousar. A se comportar do mesmo modo que os demais, obedecendo a padrões estabelecidos que já foram testados, desenvolvendo apenas aquilo para que julga ter talento, sem correr riscos desnecessários.
Através das realizações e das conquistas pessoais, podemos desenvolver a nossa auto-estima, aliciando as necessidades e o medo a nosso favor.
Fazendo uma reflexão sobre as barreiras e bloqueios que inibem a criatividade, pode-se perceber que: uma postura rígida, que não dá condições à pessoa de experimentar, visto que a experiência está sujeita a erros; a tradição que vende o slogan “muitos já fizeram assim e se deram bem”; os próprios ambientes escolares, familiares e organizacionais, presos a normas e procedimentos, são, de saída, postulados para uma atuação menos criativa por parte de todos.
Aliadas a esse quadro, as necessidades pessoais de afeto, aprovação e de aceitação e o medo proporcional do não afeto, da não aprovação ou aceitação são os últimos tijolos do muro invisível que estabelece os limites da audácia individual.
Qualquer passo que venha a ser dado em direção à ultrapassagem dessas barreiras, contraria o pré-estabelecido e aciona o medo, que, por sua vez, assusta a pessoa a tal ponto, que ela pode optar por ficar estacionada, ou mesmo, estagnada.
Desafiando a tradição e normas, ela se sente contrariando o popular, o coletivo. Os próprios grupos a que pertence passam a julgá-la diferente, um rebelde ou exibicionista, precisando de afirmação e acabam por dar-lhe um rótulo e marginalizá-lo.
Cada pessoa, com suas dificuldades e limitações, desenvolve seus mecanismos de defesa, que o ajudam a conviver melhor com essas situações rotineiras.
Em frente a cada situação, ela assume uma postura, que, invariavelmente, reflete sua pré-disposição para enfrentar ou não os problemas.
Quando ela resolve enfrentar o problema, pode ser através de soluções precipitadas, que o aliviem rápido de sua ansiedade, deixando a qualidade em segundo plano. No outro extremo, procura preparar a obra-prima, que nunca vai estar à sua altura, precisando de mil e um retoques, primando pela qualidade, que o livrará de qualquer censura ou engano, mas deixando de lado qualquer eficácia ou objetividade.
Ao resolver não equacionar os problemas, ela opta pela omissão ou passividade e deixa as coisas acontecerem, acabando por se tornar conformista e, mais adiante, pessimista. Esse tipo de atitude, que passa despercebido à própria pessoa, é por ela atribuído como limitações impostas pelas autoridades de qualquer espécie, pais, líderes, organizações, o próprio ambiente e o tempo. A passividade é sempre justificada no condicional e atribuída a fatores externos:
- Se meu pai não fosse assim,...
- Se a empresa me desse oportunidade,...
- Se o governo agisse de outra forma,...
- Se eu tivesse mais tempo,...
A passividade e as outras barreiras e bloqueios que descrevemos fazem parte do nosso dia-a-dia, já incorporados à nossa maneira de ser, frente às diversas situações que vivenciamos, em graus diferentes, de acordo com os momentos e circunstâncias.
Para superá-las são necessários a aceitação e o reconhecimento das habilidades e limitações pessoais e uma dose homeopática de experiências, não esquecendo que a criatividade caminha “passo a passo”.
Independente das características próprias de cada pessoa e das barreiras e bloqueios que podem ser superadas, qualquer ato criativo está sujeito a limites, de acordo com seu campo de ação.
Seja pelo próprio tema ou objeto de criação, pelas circunstâncias, ferramentas, material disponível, seja pela extensão do conhecimento humano, pelo público alvo e usuários, pelas organizações, pela forma ou categoria, já se pressupõe limitadores de ordem genética, cultural, espacial, e circunstancial.
É interessante falar sobre esta sintonia, já que no momento em que se determina buscar algo ou criar, parece que todos à nossa volta entram em sintonia com nossos objetivos e se configuram inúmeras sugestões, através de amigos, livros, filmes, palavras. São como pedaços do quebra-cabeça que aparecem do nada e lhe são entregues nas mãos.
Por isso, apesar de descrevermos sempre o ato criativo como um vôo altamente solitário, o ambiente e as coisas e pessoas que nos rodeiam, participam da nossa criação de maneira direta, ou mesmo, indiretamente.
Esta é a grande questão. Os subsídios partem de fora para dentro, como alimento energizador e condutor para a criação.
E essa sintonia parece criar riquezas para que o trabalho não permaneça dentro apenas da pessoa. É o repartir, é o falar de si que também diz respeito aos outros, uma realidade que se compartilha com os outros. Na verdade, é sentir o outro.
Podemos exemplificar melhor falando de publicidade, em que são criadas peças que falam do que todos precisam ou gostariam de ter e ser.
Os grandes artistas, em obras imortais, falam ou expressam suas verdades que espelham as nossas ou a da maioria de nós; o segredo dos mitos que persistem e sobrevivem aos séculos por conseguirem retratar a sabedoria e consciência do coletivo, são os maiores exemplos disso.
Quando a sintonia existe, você parece ter a certeza de que escolheu o caminho certo. É como se alguém maior lhe apontasse a direção. E então você aposta, podendo ganhar ou não.
Nos períodos de incubação, você parece ser despertado do sono olhando para esse caminho, e, nesses momentos, sabe que não tem escolha senão a de seguir em frente e tentar enfrentar os obstáculos que se encontrem adiante.
Os limites não impossibilitam a criação, apenas delimitam-na a um espaço e, na luta contra esses limites, se dá o ato de criação, emergindo do nada: a única coisa sem limite.
Falamos, ainda há pouco, sobre medo, tema que, com suas implicações, foi questionado em prosas e versos, pensado e discutido, em todas as épocas, por filósofos, dramaturgos, cientistas, políticos e poetas.
Entre ele Virgílio, Horácio, Cervantes, Shakespeare, Sêneca, Kennedy, enfim, personalidades ilustres que deixaram seus registros na Literatura.
O medo faz parte da História do homem. Não se pode matar o medo, nem fazer de conta que ele não existe. Ele estará presente nos momentos importantes e críticos de cada um.
Medo configura o maior desafio do ser humano. Apenas um único herói poderá fazer frente a ele: a coragem.
A coragem, apesar do medo de seguir caminhos, de descobrir terras, de realizar façanhas, de elaborar e realizar projetos.
Para aumentar nossos limites de vista é preciso negociar, não por medo, mas, sim, com o medo! Isto é ser criativo!
Ao longo da História da Humanidade, foram registradas inúmeras descobertas, que incorreram em mudanças de hábitos e aceleraram o progresso e o desenvolvimento. Como se pode imaginar foram sentidas como ameaças e provocaram duras resistências.
A mente humana com sua constante inquietação e curiosidade produziu, só no século atual, toda espécie de invenções como o automóvel, telefone, rádio, televisão, cinema falado, avião, radar, telégrafo sem fio, microcomputador, telefone celular, incluindo o envio do homem à Lua.
Apesar de a mudança ser a base do progresso, ela é considerada um risco e gera uma grande resistência por parte da maioria das pessoas, que precisam de tempo para assimilação e adaptação.
As inovações marcam e modificam o estilo de vida, em todas as suas formas. Despertam novas necessidades nas pessoas e oferecem oportunidades àqueles que se colocam abertos para a Vida.
Chamamos a essa adaptação e não-oposição às mudanças de postura criativa. Para desenvolver essa atitude positiva precisamos levar em conta uma série de características, tais como ousadia, originalidade e imaginação. Contudo, devemos lembrar que vícios de postura foram adquiridos no decorrer de nossa formação e já estão incorporados ao nosso modo de agir, portanto, demandam tempo e empenho para nos livrarmos deles.
Ousar é desafiar padrões, é sair da inércia, do lugar comum, correndo todos os riscos implícitos. Nossa História está cheia de exemplos de grandes homens que ousaram desafiar, com suas invenções, teorias e descobertas, os valores e conceitos de sua época.
A maior ousadia para todo ser humano é ousar. Sabe-se que tudo o que é familiar se apresenta com um invólucro de segurança, com um rótulo do que é o certo ou lei, com a sensação de que todas ou quase todas as pessoas já experimentaram e concordaram que essa é a forma correta. Tentar mudar dá a sensação de se estar comprando uma briga com o mundo todo, ou chamando a todos de ignorantes, por afirmar e defender um ponto de vista divergente, correndo o perigo de ser expulso do grupo, por ofensa ou por querer aparecer ou ser diferente.
Dessa forma, procura-se seguir os passos dos demais, aplaudindo quando eles aplaudem, ou vaiando quando outros vaiam os desventurados, que ousaram ousar.
Com todo esse risco de rejeição, fica cada vez mais reprimida a ousadia e, cada vez mais longe, algum ato criativo ou original.
Enquanto uns vão à luta, desafiando o medo e as circunstâncias, outros ficam rezando para ganhar na loteria, sem, ao menos, comprar o bilhete da sorte.
Para se alcançar a originalidade, a pessoa tem que sair do padrão comum, fugir de coisas estabelecidas através das experiências alheias e tentar obter, entre múltiplas alternativas e possibilidades, a resposta ideal para o seu dilema.
A originalidade nas pessoas, em algumas ocasiões, é confundida com rebeldia ou vontade de chamar a atenção, o que até pode ser, também. As pessoas devem ser incentivadas e gratificadas, quando conseguem realizar algo ou descobrem soluções de forma original.
Esse estímulo, vindo do ambiente em que estejam inseridas, faz com que se sintam entusiasmadas com seu próprio desempenho e passem a adotar uma postura mais otimista, em relação à vida e às outras pessoas, buscando novas situações que lhes venham gerar gratificações similares e se tornem, cada vez mais, curiosas e motivadas para aprenderem e, acima de tudo, mais criativas.
A imaginação é a fonte de todo ato criativo. O hábito de imaginar livremente, sem qualquer censura, possibilita desenvolver todas as habilidades descritas anteriormente. Ora, quanto mais idéias se apresentam, mais possibilidades de associações, combinações e modificações são possíveis, dando origem a maior fluxo e flexibilidade de idéias. O aumento de possibilidades, por sua vez, alimenta a curiosidade e estimula a observação, que, juntas, caminham para o inconformismo com a ruptura de padrões estabelecidos, convergindo para ousadia e originalidade.
É, primeiramente, na imaginação que traçamos nossas metas pessoais, que idealizamos soluções para problemas e mudanças, avaliamos alternativas e estratégias possíveis, ponderamos as dificuldades e tudo o mais. Este é o primeiro estágio para se poder ousar ou não.
A pessoa usa a imaginação para avaliar suas chances de sucesso ou de fracasso, julgando-se vencedor ou vencido perante os desafios e problemas que se apresentam. Neste momento ela define sua predisposição em assumir um comprometimento ou não com a solução de problemas. Algumas vezes, a imaginação não é bem dimensionada e ela superestima ou, na maioria das vezes, subestima sua capacidade criadora.
Desde jovens, as pessoas se imaginam ocupando esse ou aquele cargo, em áreas que gostariam de conhecer e de se especializar.
Esse pensamento para cima é uma projeção que, normalmente, fixa metas e objetivos pessoais. Quanto maior a imaginação, maior é a projeção e maiores são as possibilidades e o alcance.
Uma idéia sempre traz outra idéia. De uma idéia nasceram todas as coisas a nossa volta. De apenas um elemento são desenvolvidos produtos e subprodutos que vêm atender às necessidades e acabam por substituir outros, em desuso ou menos viáveis.
O físico dinamarquês Niels Bohr deu origem à Física Nuclear ao estabelecer o modelo do átomo planetário, através de uma analogia por imagens. Para isso, se utilizou da imagem de minúsculas esferas em órbita ao redor de um ponto central, de acordo com o mesmo princípio, segundo o qual, a Terra gira em torno do Sol.
Brunel resolveu o problema de construção de túneis submarinos ao observar um verme fazendo um buraco numa viga.
O desenvolvimento da postura criativa pressupõe uma abertura a novas experiências, o que se dá através da transformação de estímulos em proposições, da utilização da mudança como caixa de oportunidades. A expansão da personalidade, a capacidade de adaptação e a audácia de assumir idéias e atos, estabelecem os preceitos da criatividade.
Através de experiências e com o uso das habilidades essenciais, que passam a ser incorporadas ao estilo de cada pessoa, respeitando suas peculiaridades, se dá o crescimento. Cada processo, indiscutivelmente, é único. Por esse motivo, não podemos estabelecer regras ou normas de procedimentos.
Cada um de nós, através de auto-avaliação e auto-conhecimento, assumindo tanto as habilidades como as dificuldades pessoais, deve traçar as metas de forma objetiva, medir chances e se jogar de corpo e mente na busca daquilo que se idealiza. Dessa forma o êxito está, com toda garantia, mais próximo.
Dicas para estimular a criatividade:
Muitas vezes, uma idéia criativa não é mais do que o quebrar de uma opinião ou de uma forma de agir. É possível estimular o seu cérebro para pensar de uma maneira menos rotineira, mudando regularmente os hábitos da sua vida diária:
Qual é o papel e como devem agir os profissionais e as organizações deste novo milênio? Sem dúvida é bem diferente dos modelos existentes alguns anos atrás.
No começo dos anos 90, o profissional ideal agia na base do de mero executor de tarefas, usando pouco de seu potencial criativo, com poucas chances de inovar nas suas ações. Era uma relação de poder mesmo, e quem não cumprisse as ordens da maneira correta, acabava no olho da rua.
Hoje as coisas mudaram um pouco, e o profissional usa de sua competência técnica e relacional, atuando de forma equilibrada e desafiadora, procurando espaços para inovar cada vez mais, nas ações do dia a dia.
No cenário econômico do inicio deste novo século, em que se percebe a complexidade do ambiente que as organizações estão inseridas, ressurge a figura de um novo modelo de profissional, que esteja preparado para enfrentar estes novos desafios do mercado, pois o mesmo se enquadra perfeitamente a esse ambiente repleto de incertezas e riscos, com alta capacidade de percepção de oportunidades e motivado pela inovação.
De fato, estes novos profissionais precisam ser pessoas intensamente motivadas para atuar em seus negócios com autoconfiança, desejosos de independência e autonomia. Na realidade, são profissionais que possuem predisposição para a inovação, possuem uma percepção mais arrojada do futuro e das próprias condições, para enfrentar os fatores adversos do meio em que se inserem.
Este novo profissional é responsável pela destruição criativa, ou seja, o inovador incansável, que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, criando, de forma constante, novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados, de tal forma que transforma a ordem econômica existente, pela introdução de novas formas de organização.
Diante dos desafios apresentados, este profissional necessita estar sempre buscando a mudança, reagindo a ela e a explorando como sendo uma oportunidade. Ele deve criar algo novo, algo diferente, que muda ou transforma valores. Ele deverá ser capaz de conviver com os riscos e incertezas envolvidos nas decisões.
Este profissional deverá ter capacidade de inovar, correr riscos inteligentemente e agir com eficiência para se adaptar às contínuas mudanças neste novo cenário.
Por certo, como as organizações refletem a sociedade na qual estão inseridas e, como as pessoas adquirem do grupo social um extenso repertório de usos e costumes que identificam este grupo, pressupõe-se que esse profissional traga para a organização o seu repertório e, que esse repertório de usos e costumes, tenha influência tanto no seu comportamento como na sua forma de atuar no seu dia a dia de trabalho.
O que se percebe é que as organizações atuais, já demonstram a necessidade de promover ações que visem desenvolver as potencialidades empreendedoras, uma vez que este novo modelo de profissional é considerado um instrumento de transformação social.
Todas as habilidades provenientes da formação deste novo profissional podem tornar as pessoas capazes de planejar, desenvolver, avaliar e implementar planos e projetos de inovação, nas organizações ou na sociedade, como um todo.
Diante deste cenário apresentado, acreditamos que o diferencial do século XXI serão as pessoas. Um dos maiores desafios enfrentados pelas organizações é atrair e reter profissionais que possuam características importantes para este novo modelo profissional, tais como.
É importante que a revolução e mudança de comportamento ocorra em todos os níveis da organização, para gerar credibilidade.
Muitas organizações e instituições de ensino superior, discutem este novo perfil de profissional, no mercado. Pesquisas realizadas indicam que estes profissionais devem possuir uma formação humanística e técnica, atuando com princípios éticos, de responsabilidade e justiça social, com competência para analisar criticamente ações, de forma proativa, num processo de aperfeiçoamento contínuo.
É um perfil profissional que muitas vezes não é alcançado, em virtude de um processo de formação educacional, que não é condizente com um novo ambiente empresarial.
É tempo de mudanças e temos que começar um processo de renovação. O momento é de aprendizado contínuo, que se processa através da exploração de novos conhecimentos e da difusão do que já foi aprendido, para que todos possam desenvolver visões compartilhadas, sobre como melhorar o seu desempenho profissional.
Como adquirir visões compartilhadas? Através de um processo de aprendizagem que provoque a necessidade de compartilhar idéias, discuti-las e gerar conhecimento. É um processo que começa na própria pessoa, que tem uma idéia e que a compartilha com um grupo, que a interpreta e gera um pensamento grupal comum.
Se esse processo for exercitado, constantemente, pode-se criar profissionais capazes de gerar conhecimento e torná-lo explícito para todo um sistema econômico-social, promovendo assim o seu desenvolvimento.
Não é uma tarefa fácil transformar o conhecimento tácito em explícito, pois requer um conjunto de habilidades e aptidões pessoais e de uma gestão empresarial que facilite a ampliação das capacidades humanas, através da integração do saber e do fazer, de modo que um processo exploratório de idéias seja estimulado, promovendo essa transformação.
Para que essa transformação de fato, ocorra, as empresas devem atuar um pouco como gestoras de talentos humanos, apoiando, criando condições adequadas e incentivando as competências dos seus profissionais. Para tanto, os ingredientes críticos que precisam ser considerados, são os seguintes:
A capacitação deste novo profissional se faz através de um aprendizado contínuo e que deve ser exercitado para promover a renovação dos processos existentes nas organizações.
Vale ressaltar, que a manutenção de condições ideais para que este aprendizado seja eficiente e continuo é muito difícil, pois requer um ambiente propício, exigindo que o profissional tenha um perfil que englobe vários requisitos como, capacidade para refletir e agir, para correlacionar o teórico com o concreto e, sobretudo, ter a capacidade de conexão, ou seja, saber como conectar fatos, idéias e pensamentos.
As empresas devem se conscientizar que só conseguirão se renovar e permanecer no mercado se investirem no desenvolvimento de todos os atores organizacionais, sobretudo em profissionais que consigam introduzir uma nova cultura baseada na aprendizagem contínua, que se processa através da criação e difusão de novos conhecimentos e de mudanças no conhecimento que já foi institucionalizado na empresa, ou seja, suas estruturas, procedimentos, rotinas e processos.
Esses profissionais devem ter características específicas para transformar a empresa em uma organização que aprende. Eles devem desenvolver a capacidade de aprendizagem do
seu grupo de trabalho, identificando barreiras e bloqueios que podem comprometer o desempenho da empresa; devem procurar renovar constantemente estruturas, estratégias e processos, através da aquisição de novos conhecimentos; ter firmeza e sensibilidade interpessoal, assumindo o papel de um agente transformador, capaz de levar o grupo ao autodesenvolvimento e melhorar o desempenho da organização; atuar de forma interdisciplinar, de modo que possa compreender que qualquer mudança afeta toda a organização e ele é o elemento que dá sustentação a essas mudanças.
Além dessas características, o profissional que aprende deve estar consciente de como a aprendizagem pode ser um instrumento que o auxilia em seu trabalho na organização.
A máquina não vai substituir o que existe de mais humano: a criatividade, a paixão pela descoberta e a disponibilidade para aprender. O profissional será obrigado a estudar permanentemente.
A multicompetência será a principal característica necessária aos profissionais do futuro. Quem estiver apto para atuar em todas as áreas, com habilidade de relacionamento em todos os níveis, especializando-se em vários assuntos, estará pronto para enfrentar as mudanças e atuar em qualquer área. A avaliação do profissional será fundamentada pela função conhecimento técnico x personalidade.
O eixo da personalidade do futuro deverá conter: postura ética, idoneidade, flexibilidade para adaptar-se às mudanças, estabilidade emocional para trabalhar em equipe, maturidade para exercer comando e capacidade analítica para resolução de problemas.
Já o conhecimento técnico será necessário para concretizar idéias e permitir a conexão do homem com o mundo informatizado.
A busca, assim como a manutenção destes profissionais em seus quadros, exigira das organizações uma nova estratégia de atuação, abrindo espaços para uma gestão compartilhada, onde o saber e o conhecimento estejam sendo percebidos de maneira democrática, disponíveis a todos os profissionais que ela fazem parte, sem que isto se transforme em ameaça, mas, sobretudo, numa forma de garantir a sobrevivência e a expansão dos negócios existentes.
O quadro apresentado acima demonstra que os profissionais deste novo milênio devem se responsabilizar pelo próprio aprendizado e estar conscientes que o seu desenvolvimento pessoal e profissional depende tanto das suas ações pessoais, na busca de novos conhecimentos, quanto na sua possibilidade de escolher organizações que comunguem de suas idéias, possibilitando, desta forma, espaço para que possa atuar. Aqueles que não adquirirem essa visão não conseguirão ser bem sucedidos.
Todos os aspectos levantados, anteriormente, demonstram que o perfil do profissional do terceiro milênio é o de um eterno aprendiz, capaz de levar o seu aprendizado para o ambiente das organizações. Além disso, o aprendizado pode se tornar um instrumento capaz de guiar todas as suas ações, tornando-se uma verdadeira filosofia de vida.
As empresas devem se tornar organizações de aprendizagem e gerar e compartilhar o conhecimento necessário, para ajudá-las a se transformar continuamente e sobreviver às mudanças, no ambiente empresarial.
Nesse sentido, o capital intelectual é o principal elemento capaz de conduzi-la ao sucesso e o profissional é o responsável por seu gerenciamento. Para isso, é necessário a mudança no perfil desse profissional, que além de uma formação técnica, deve ter uma formação humanística, interdisciplinar e sistêmica, levando a aprendizagem para todos os níveis organizacionais, através de informações que possam ser transformadas em conhecimento. Isso requer a introdução de uma nova concepção de gerência nas organizações.
Este novo profissional deve estar consciente desse processo, que é lento e gradual, mas que, no futuro, pode transformá-lo no principal agente de transformação da organização e, se essa nova concepção de organização for introduzida com sucesso, provocará uma mudança de mentalidade em todos os atores organizacionais e, esses novos valores e atitudes ultrapassaram as fronteiras da organização, chegando aos lares dessas pessoas, o que pode mudar toda uma sociedade. É um novo tipo de responsabilidade social que está nas mãos dos grandes condutores das organizações: seus novos profissionais de fato e de direito.
Como decorrência das grandes transformações na esfera produtiva do final do século XX, constata-se que a concepção de emprego entra em declínio e, em seu lugar, passa-se a utilizar o conceito de empregabilidade.
O conceito de empregabilidade, por sua vez, está fortemente relacionado ao perfil deste novo profissional, pelo fato que ambos os conceitos tratam de profissionais que vão em busca do seu auto-empreendimento.
A mudança de foco na análise sócio- econômica, tem privilegiado os estudos de pequenos e médios empreendimentos, uma vez que constatou-se que esse tipo de organização gera mais emprego do que as grandes empresas e, com isto, abre espaço para a compreensão do chamado “fenômeno do empreendedorismo”, como forma de geração de novos postos de trabalho.
Por uma questão de cultura organizacional as empresas de pequeno e médio porte, carecem de sentido de missão, espírito empreendedor e eficácia no gerenciamento. O descompromisso com o efetivo controle do negócio e a despreocupação com ações de planejamento, tende a acarretar inúmeras dificuldades no desempenho das mesmas, inclusive inviabilizando o negócio, em curto espaço de tempo.
Por uma ausência de gestão profissionalizada, a condução dos negócios nestas empresas, em geral, coincide com a figura do proprietário.
As características e atributos do proprietário, tais como: educação, idade, liderança, capacidade gerencial e de planejamento etc, resultam como relevantes nas diretrizes de condutas, que condicionam o caminho evolutivo da empresa.
As empresas de pequeno e médio porte, não são diferentes das grandes empresas, somente por sua menor escala de operação, mas sim, porque operam com base em uma lógica e racionalidade distinta, relativamente, às grandes empresas.
Enquanto os proprietários são, de fato, responsáveis por levar a cabo a missão e a estratégia da empresa, isso está longe de ser tudo. Para produzir senso de compromisso geral que se faz necessário para executar a missão, eles devem se concentrar também nos produtos do trabalho coletivo. Aprender a reconhecer a diferença entre situações coletivas e não-coletivas. Fazer escolhas conscientes entre a velocidade da ação individual e o potencial de desempenho de ação conjunta é uma habilidade a ser adquirida nestas empresas de pequeno e médio porte.
A expansão e a motivação da ação empreendedora, ao longo de toda organização, por menor que seja é importante para toda empresa, que se antecipa ao crescimento e à mudança.
Certamente, a eficácia dos profissionais pode ser aumentada, por meio da educação, do treinamento e do desenvolvimento pessoal.
Diante do exposto cabe o questionamento as pessoas que estão, hoje, em busca de um lugar neste mercado de trabalho:
Até que ponto estou preparado ou me preparando para ter chances de atuar com sucesso nesse novo cenário?
Como as organizações estão se reestruturando para garantir sua permanência no mercado e, se preparando para receber este novo profissional, criando condições para que os mesmos permaneçam em seus quadros?
Sandra Faria
O conceito de disciplina não é entendido de maneira muito simpática pela maioria das pessoas, mas, diferentemente do que as pessoas acreditam, a disciplina e a persistência são algumas das atitudes mais importantes para a escolha correta da carreira e a conquista do sucesso. Somente com disciplina e persistência uma pessoa conquista resultados satisfatórios, em qualquer segmento da sua vida.
Diferentemente do que as pessoas pensam disciplina não é um regime rígido, que exige sofrimento para mantê-lo. Quem tem disciplina pessoal, naturalmente, é uma pessoa disciplinada. A energia despendida para viver disciplinadamente é a mesma utilizada quando não se tem disciplina, mas os resultados são bem diferentes.
No Dicionário da Língua Portuguesa a palavra disciplina é retratada como um "regime de ordem imposta ou mesmo consentida, ordem que convém ao bom funcionamento de uma organização ou submissão a um regulamento".
Observamos que muitas pessoas associam a disciplina a algo muito rígido que remete a regras de Exército. Se você analisar todos estes conceitos, vai concluir se eles são positivos ou negativos. O que define isso é o seu ponto de vista.
Um atleta, por exemplo, para competir num campeonato, investe horas em treinamentos, obedecendo a uma disciplina para que num determinado dia a vitória sorria para ele. Esta qualidade é uma grande aliada quando é desenvolvida e mantida para dar suporte ao indivíduo a fim de que sejam atingidas suas metas. E tudo é questão de treino, persistência, clareza na meta a ser alcançada e coragem para enfrentar desafios.
Citando Roque Schneider “Nossa existência lembra o riacho, buscando o mar.”. Surgem pedras, barreiras e obstáculos.
Riacho inteligente contorna, assimila, passa por cima, passa por baixo, sempre encontrando um jeito de prosseguir. Porque o mar chama, convida. Porque o mar é seu endereço final.
Riacho bobo fica rodeando a pedra, o desafio, a barreira. O rio atinge suas metas, porque aprende a superar dificuldades.
Continuar navegando é perseverar quando a maioria desiste. É sulcar as águas, quando outros já ancoraram. É chutar longe a tristeza, fazendo um pacto sagrado com a paz.
Continuar navegando é embeber-se de infinitos, na coragem de quem enfrenta o impossível. É o mergulho fundo de quem atravessa a casca. É insistir no válido e nobre, quando outros desalentam. É colher trigo bom, num campo atapetado de joio. É ser jovial face aos problemas, indulgente com os menos prendados, afável com os mais velhos e irmãos de todos.
Continuar navegando é construir templos de fraternidade, com as pedras que jogam em nossos telhados. É suar a camiseta quando a maioria já saiu de campo. É recomeçar cada dia, mesmo que seja sobre ruínas e cinzas. Fixando as flores, esquecendo os espinhos. Fazendo da vida uma prece.
Continuar navegando é falar palavras mansas, florir ternura, onde outros praguejam. É dar voto de confiança, onde a maioria descrê e se acovarda. É divinizar o humano e espiritualizar o terreno, pendurando sorrisos de alegria e gratidão até nos galhos secos do cotidiano. É retornar às fontes da simplicidade, cultivando o silêncio como se fosse um oratório, sempre e em tudo, com a profunda vontade de ser. “Cantar, crescer, servir e amar”.
Ainda, sobre o conceito de disciplina sabemos que, nos dias de hoje, o estresse, as longas jornadas de trabalho, a baixa produtividade, os atrasos constantes e a falta de cumprimento de prazos são apenas alguns dos exemplos decorrentes da falta de disciplina.
Longe de ser escravizadora, a disciplina é uma qualidade observada facilmente nas pessoas que abrem mão de uma situação de conforto imediato em troca de uma recompensa mais duradoura no futuro.
Para obter mais qualidade de vida, mais tempo de convívio social e de lazer e mais chance de alcançar os próprios objetivos é preciso ter disciplina
A falta de disciplina desencadeia sentimentos de frustração, baixa auto-estima e improdutividade, entre outros. Uma pessoa que adota o atraso como aceitável e faz da sua agenda um amontoado de compromissos é um exemplo comum que representa como todos estes comportamentos estão interligados.
Para ser bem-sucedido é preciso aliar ação, persistência, flexibilidade e, principalmente, disciplina. Lembre-se de que só depende de você, e a energia investida para ser disciplinado é a mesma para administrar o caos que a indisciplina pode fazer na sua vida.
Sem dúvida alguma, um dos pontos-chave para ser bem-sucedido, em qualquer área de atividade, é ter objetivos bem evidentes, claros, ordenados e disciplina para atingi-los. Quanto mais definidos e presentes, mais fácil alcançá-los. E aí entram tanto os de natureza profissional como os de caráter pessoal; os de curto e os de longo prazo.
Defina bem a sua missão e faça dela um compromisso permanente.
E para conhecer melhor um dos extremos é importante e oportuno conhecer o outro lado: o porquê da missão escolhida. Além da vocação, muitos outros fatores levam à opção por uma profissão: a facilidade e a possibilidade de ganhos, a rapidez para obter resultados, o conceito que a profissão dá, a comodidade pela existência do curso na região e a influência de alguns amigos ou parentes bem sucedidos, entre outros.
Quanto maior for a gama de motivadores para a escolha de uma profissão, mais longe ou perto poderemos estar dos encaminhadores naturais para o sucesso na mesma. Considera-se o quanto se gosta dela, se identifica com o seu exercício, conhece suas peculiaridades, sente-se bem em poder colaborar com o próximo. E O SEU OBJETIVO MAIOR: REALIZAR-SE NELA.
Nos tempos atuais, perdemos um pouco o fator sonho, como decisor por uma profissão. Os encaminhamentos são mais objetivos e envolvem critérios mais ligados à realidade, o quê nos põe em busca de sermos bem-sucedidos.
Não foi eliminada a essência da vocação, mas precisam ser considerados os fatores citados anteriormente, na medida em que têm peso na decisão e fazem parte das metas pessoais vinculadas à profissão; aqueles que assim procederam devem estar conscientes e atentos a isso.
Os que optarem por uma profissão apenas em função de resultados, status ou influências, terão que levar em conta o preço a ser pago por esta escolha, entendendo que o objetivo maior não será sua satisfação pessoal ou o fato de gostar do que irá fazer, mas dependerá, fundamentalmente, do conceito que os outros farão de sua atuação profissional e que, para chegar mais longe e ser bem-sucedido, deve cuidar da imagem que, inicialmente, as outras pessoas fazem dele e que, em última instância, será determinante do seu êxito profissional, sendo este o preço a ser pago quando se vive numa sociedade em que seu desempenho e sucesso são determinados pela avaliação de outras pessoas.
Dentro de uma sociedade de conceitos e valores pouco se pode enganar quanto aos créditos adquiridos ao longo da vida. Dificilmente se conseguirá mudar a importância da avaliação dos outros em relação ao seu desempenho.
Para sair-se bem no desempenho de uma profissão a pessoa deve estar perto da satisfação absoluta, e a realização desta meta é o próprio objetivo, e a sua conseqüência, o sucesso.
A conquista de satisfação pessoal e profissional tem muito a ver com a vontade de algo novo e em evolução; manter sempre acesa a chama do aprendizado constante. É próprio do ser humano sentir atração pelo moderno, e por isso se rompem paradigmas.
O interesse pela modernização é uma demonstração de progresso e a confirmação de abertura, para um futuro melhor, voltado a sua profissão e a si próprio.
Muito embora a maioria das profissões liberais tenha se estruturado melhor somente nos últimos 20 ou 30 anos, elas se apresentam hoje com muitas alternativas, como modalidade de exercício profissional, desde generalistas até a dedicação na forma de uma especialidade.
É importante conhecê-las para uma melhor consciência de opção, ainda que futura, por alguma delas, bem como a avaliação do momento exato para decidir por uma delas.
Diversas são as formas de atuação numa profissão, com vários graus de retorno monetário e de realização profissional e pessoal.
Com todos esses dados, você já será capaz de rever suas atitudes e posturas diante dos acontecimentos e das circunstâncias que a vida apresenta. Será que não chegou o momento de você colocar mais entusiasmo em sua vida, para conquistar o que deseja?
Segundo alguns estudiosos, uma das palavras mais fortes de nosso idioma é justamente a palavra "ENTUSIASMO". Essa palavra é originária do grego "enthousiasmó", que quer dizer: "Deus em si". Pois é isso mesmo: quando você coloca entusiasmo em suas palavras e atitudes, você estará exteriorizando uma força poderosa que existe dentro de si!
Concordo plenamente com aqueles que acham que o entusiasmo supera o otimismo, pois enquanto o otimista acha que vai dar certo, o entusiasta FAZ DAR CERTO!
Não existe um receituário para motivar as pessoas através do entusiasmo, porém abaixo relaciono uma série de recomendações, atitudes e ações que certamente ajudarão.
Sabemos que tudo o que foi comentado acima não representa nenhuma novidade e você já leu em algum lugar ou ouviu algum dia. Então o questionamento: por que você não toma uma ATITUDE corajosa e coloca em prática tudo isso? Experimente! Você vai descobrir uma nova MOTIVAÇÃO para sua vida!
A hora é de ação! Seja feliz!